sexta-feira, 18 de julho de 2014

Memórias III: Clémentine- Genérico




Clémentine, quand tu fermes les yeux
Tu devines le merveilleux
Clémentine, prends-nous dans ta bulle bleue
Tant pis si c'est dangereux...

Quand on a seulement 10 ans
Souvent on voudrait bien être plus grand
Pour partir en avion en s'envolant d'un coup de vent
Tout là-bas vers l'horizon

Allons ensemble nous promener
Et faire le tour du monde sans nous presser
Il y a tant d'amis qu'on a envie de rencontrer
Clémentine va nous guider

On fait comme la p'tite Clémentine
On rêve de nuit de Chine, de nuit câline
Et tout va beaucoup mieux quand Eméra vous tend les bras
Le Mal fuit, le Mal s'en va

Clémentine, tu te bats jour et nuit
Tu défies la maladie
Clémentine, on ne te quittera pas
Et un jour tout s'arrangera

La Terre est si belle vue du ciel
Ça donne envie de vivre près du soleil
À chaque tour d'hélice, on pousse des cris, on s'émerveille
Comme c'est bon d'avoir des ailes

Allons ensemble nous promener
Et faire le tour du monde sans nous presser
Il y a tant d'amis qu'on a envie de rencontrer
Clémentine va nous guider

sábado, 12 de julho de 2014

A Alma É Corpo De Mulher IV

"Amália Ruiz encontrou a paixão da sua vida no corpo e na voz de um homem proibido. Durante mais de um ano viu-o chegar febril à beira da sua saia, que saía voando depois de um abraço. Não falavam muito, conheciam-se como se tivessem nascido no mesmo quarto, e um simples roçar dos seus agasalhos causava-lhes estremecimento e ditas. O resto saía-lhes dos seus corpos felizes com tanta facilidade que, pouco tempo depois de se encontrarem, no quarto dos seus amores soava a Sinfonia Pastoral e cheirava a perfume como se Coco Chanel o tivesse inventado.
Aquela glória mantinha as suas vidas suspensas e convertia a sua morte num impossível. por isso, eram belos como um feitiço e promissórios como uma fantasia.
Até que, numa noite de Outubro, o amante da tia Meli chegou ao encontro atrasado e a falar de negócios. Ela deixou-se beijar sem paixão e sentiu o hálito da habituação devastando-lhe a boca. Guardou para si as censuras, mas saiu a correr para casa e nunca mais quis saber daquele amor.
- Quando o impossível se quer transformar em rotina, é preciso abandoná-lo - explicou à irmã, que não era capaz de entender uma atitude tão radical. - Não podemos embarcar na história de ambicionar uma coisa proibida, de a possuir às vezes como uma bênção, de a desejar sobretudo por isso, por ser impossível, desesperada, e de um momento para o outro vê-la converter-se no anexo de um escritório. Não posso permiti-lo, não vou permiti-lo. Seja por amor de Deus que algo tem de proibido e por isso é abençoado."

Angeles Mastretta, Mulheres de Olhos Grandes, Edições Asa, Lisboa, 2003.