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| Sophia de Mello Breyner Andresen, Obra Poética, Caminho, 2010. |
Poema para Ana Às vezes eu sei que não há Deus Outras, reparo nos teus olhos, Ana. São realmente olhos? São realmente teus? São mistério de outra raça mais humana? Serão assim os mortos que aparecem E nos afagam com mãos de seda preta? Os teus olhos, Ana, são coisas que acontecem A quem esteve fechada séculos numa gaveta.Se não tivesse vindo o Príncipe estrangeiro Enchendo a nossa casa de ramos de giesta Estariam ainda dragões de nevoeiro A guardar os teus olhos perdidos(...) Natália Correia
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terça-feira, 2 de outubro de 2018
sábado, 14 de julho de 2018
Do Silêncio VI- Sophia
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Sophia de Mello Breyner Andresen
terça-feira, 18 de outubro de 2016
sábado, 14 de maio de 2016
Poesia XXII - Sophia
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segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014
Poesia X- Manuel Alegre
Carta a Sophia
ou
o quinto poema do português errante
Querida Sofia: como os índios do seu poema
também eu procurei o país sem mal.
Em dez anos de exílio o imaginei
como os índios utópicos também eu queria
um outro Portugal em Portugal.
Mas quando regressei eu não o vi
como eles me perdi e nunca achei
o país sem mal.
Talvez a própria vida seja isto
passar montanha e mar sem se dar conta
de que o único sentido é procurar.
Como os índios do seu poema eu não desisto
sou um português errante a caminhar
em busca do país que não se encontra.
Manuel Alegre, Livro do Português Errante, Dom Quixote, Lisboa, 2001.
ou
o quinto poema do português errante
Querida Sofia: como os índios do seu poema
também eu procurei o país sem mal.
Em dez anos de exílio o imaginei
como os índios utópicos também eu queria
um outro Portugal em Portugal.
Mas quando regressei eu não o vi
como eles me perdi e nunca achei
o país sem mal.
Talvez a própria vida seja isto
passar montanha e mar sem se dar conta
de que o único sentido é procurar.
Como os índios do seu poema eu não desisto
sou um português errante a caminhar
em busca do país que não se encontra.
Manuel Alegre, Livro do Português Errante, Dom Quixote, Lisboa, 2001.
Edward Matthew Hale, The Mermaid's Rock, 1894
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sábado, 11 de janeiro de 2014
O Mistério da Noite- Sophia
Noite
Mais uma vez encontro a tua face
Ó minha noite que eu julguei perdida.
Mistério das luzes e das sombras
Sobre os caminhos de areia,
Rios de palidez em que escorre
Sobre os campos a lua cheia,
Ansioso subir de cada voz,
Que na noite clara se desfaz e morre.
Secreto, extasiado murmurar
De mil gestos entre a folhagem,
Tristeza das cigarras a cantar.
Ó minha noite, em cada imagem
Reconheço e adoro a tua face,
Tão exaltadamente desejada,
Tão exaltadamente encontrada,
Que a vida há-de passar, sem que ela passe,
Do fundo dos meus olhos onde está gravada.
Sophia de Mello Breyner Andresen, Obra Poética, Editorial Caminho, Lisboa, 2010.
Edward Robert Hughes, Night.
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