quarta-feira, 1 de outubro de 2014

Pura Poesia X No Teu Poema- Mafalda Arnauth






No Teu Poema
José Luís Tinoco


No teu poema
Existe um verso em branco e sem medida
Um corpo que respira, um céu aberto
Janela debruçada para a vida

No teu poema existe a dor calada lá no fundo
O passo da coragem em casa escura
E, aberta, uma varanda para o mundo.

Existe a noite
O riso e a voz refeita à luz do dia
A festa da Senhora da Agonia
E o cansaço
Do corpo que adormece em cama fria.

Existe um rio
A sina de quem nasce fraco ou forte
O risco, a raiva e a luta de quem cai
Ou que resiste
Que vence ou adormece antes da morte.

No teu poema
Existe o grito e o eco da metralha
A dor que sei de cor mas não recito
E os sonos inquietos de quem falha.

No teu poema
Existe um canto, chão alentejano
A rua e o pregão de uma varina
E um barco assoprado a todo o pano

Existe um rio
O canto em vozes juntas, vozes certas
Canção de uma só letra
E um só destino a embarcar
No cais da nova nau das descobertas

Existe um rio
A sina de quem nasce fraco ou forte
O risco, a raiva e a luta de quem cai
Ou que resiste
Que vence ou adormece antes da morte.

No teu poema
Existe a esperança acesa atrás do muro
Existe tudo o mais que ainda escapa
E um verso em branco à espera de futuro.

sexta-feira, 18 de julho de 2014

Memórias III: Clémentine- Genérico




Clémentine, quand tu fermes les yeux
Tu devines le merveilleux
Clémentine, prends-nous dans ta bulle bleue
Tant pis si c'est dangereux...

Quand on a seulement 10 ans
Souvent on voudrait bien être plus grand
Pour partir en avion en s'envolant d'un coup de vent
Tout là-bas vers l'horizon

Allons ensemble nous promener
Et faire le tour du monde sans nous presser
Il y a tant d'amis qu'on a envie de rencontrer
Clémentine va nous guider

On fait comme la p'tite Clémentine
On rêve de nuit de Chine, de nuit câline
Et tout va beaucoup mieux quand Eméra vous tend les bras
Le Mal fuit, le Mal s'en va

Clémentine, tu te bats jour et nuit
Tu défies la maladie
Clémentine, on ne te quittera pas
Et un jour tout s'arrangera

La Terre est si belle vue du ciel
Ça donne envie de vivre près du soleil
À chaque tour d'hélice, on pousse des cris, on s'émerveille
Comme c'est bon d'avoir des ailes

Allons ensemble nous promener
Et faire le tour du monde sans nous presser
Il y a tant d'amis qu'on a envie de rencontrer
Clémentine va nous guider

sábado, 12 de julho de 2014

A Alma É Corpo De Mulher IV

"Amália Ruiz encontrou a paixão da sua vida no corpo e na voz de um homem proibido. Durante mais de um ano viu-o chegar febril à beira da sua saia, que saía voando depois de um abraço. Não falavam muito, conheciam-se como se tivessem nascido no mesmo quarto, e um simples roçar dos seus agasalhos causava-lhes estremecimento e ditas. O resto saía-lhes dos seus corpos felizes com tanta facilidade que, pouco tempo depois de se encontrarem, no quarto dos seus amores soava a Sinfonia Pastoral e cheirava a perfume como se Coco Chanel o tivesse inventado.
Aquela glória mantinha as suas vidas suspensas e convertia a sua morte num impossível. por isso, eram belos como um feitiço e promissórios como uma fantasia.
Até que, numa noite de Outubro, o amante da tia Meli chegou ao encontro atrasado e a falar de negócios. Ela deixou-se beijar sem paixão e sentiu o hálito da habituação devastando-lhe a boca. Guardou para si as censuras, mas saiu a correr para casa e nunca mais quis saber daquele amor.
- Quando o impossível se quer transformar em rotina, é preciso abandoná-lo - explicou à irmã, que não era capaz de entender uma atitude tão radical. - Não podemos embarcar na história de ambicionar uma coisa proibida, de a possuir às vezes como uma bênção, de a desejar sobretudo por isso, por ser impossível, desesperada, e de um momento para o outro vê-la converter-se no anexo de um escritório. Não posso permiti-lo, não vou permiti-lo. Seja por amor de Deus que algo tem de proibido e por isso é abençoado."

Angeles Mastretta, Mulheres de Olhos Grandes, Edições Asa, Lisboa, 2003.


quarta-feira, 7 de maio de 2014

A Alma É Corpo De Mulher III

"Gosto de ouvir as suas histórias, repetidas várias e várias vezes. Gosto de poder apoiar-me na segurança de saber o que vem a seguir; a morte da Mãe tornou a pôr-me assim, frágil e infantil.
Depois de fazermos amor, ele faz deslizar o braço sob a minha cabeça, e, pela primeira vez, falamos da mulher dele. - Durante muitos anos, ela foi a minha sombra, e eu fui a sombra dela - diz ele. - Talvez até fossemos chegados demais. A morte do nosso filho uniu-nos, mas isolou-nos. - Encolhe os ombros com tristeza. - Depois, um dia, acordei, e olhei à minha volta, e não havia nada. É uma coisa horrível, não projectar uma imagem nem para a frente nem para trás de ti. É como não nascer. Como viver como um dybbuk, um fantasma que assombra a Terra.
Sentir o que ele perdeu leva-me a abraça-lo com força, e ele não resiste. A sua generosa tolerância comigo é o motivo pelo qual o ciúme não nos envenena. Contudo, a nossa intimidade faz-me tremer ao fim de algum tempo; é a fragilidade de estar demasiado nua em frente de um amante."

Richard Zimler, A Sétima Porta, Editora Oceanos, Porto, 2007.


Amadeo Modigliani, Portrait of a Woman, 1917-1918.

terça-feira, 29 de abril de 2014

Ferreira de Castro II

Andorra

"Andorra foi sempre, na terra portuguesa e na Europa inteira, um tear de sorrisos. Por ser pequena? Por se ter conservado, através dos séculos, extática, enlevada, adormecida no seu berço de montanhas? Por ser ignorada? Nem sempre o que é grande é o mais belo; e a maior fascinação reside sempre no que é desconhecido.
Ao longo da vida temos topado homens que fumaram ópio na China, tomaram vodka na Rússia, miraram o Vale dos Reis e subiram aos Andes; nenhum , impenitente vagamundo fosse ele, que nos baforasse a frase célebre: "Corri Seca e Meca e os Vales de Andorra". Nenhum que houvesse desejado ver como aquilo era e por que vivia quase independente, há tantos séculos já, um país tão minúsculo, quando outros maiores têm sido anexados.
Não. Ia-se muito longe, devassavam-se os mais distantes recantos do planeta , mas a Andorra, que estava perto, manando possivelmente inéditas emoções, ninguém ia, ninguém pensava ir. 
Nasceu, assim, a minha curiosidade (...)".

Ferreira de Castro, Obras Completas, Vol.II, Pequenos Mundos e Velhas Civilizações, Editora Lello, Porto, 1977.



domingo, 16 de março de 2014

Poesia XIII - Natália Correia


As Mulheres no Século XXI

"Aliás, é curioso observar como muitas das mulheres que, por tristes razões de conveniência social, preferem não se declarar feministas, comungam com as feministas radicais de uma mística do feminino, que arreda os homens de tudo quanto é simpático nos sentimentos e actos, definindo de forma estanque uma série de "valores" femininos: afecto, lealdade, transparência, generosidade, intuição, pragmatismo, sentido de humor, desembaraço. Pretender definir um dos sexos através desta curta súmula de maravilhas é, parece-me a mim sexismo. Como afirma Ana Vicente (em Os Poderes das Mulheres, Os Poderes dos Homens, Circulo de Leitores, 1998): "Tal como o racismo, o sexismo foi e é um tremendo erro, pois torna a procura da felicidade muito mais nebulosa e tacteante". Por isso, a páginas tantas, quando Orlando passa do sexo masculino ao feminino, Virginia Woolf escreve: "A mudança de sexo, muito embora alterando-lhe o futuro, não lhe alterava a identidade". por isso também o assunto da "escrita feminina" me cheira ao esturro da discriminação: a única distinção que faz sentido é a que engloba as/os escritoras/es capazes de escavar o fundo secreto dos tempos e das almas.
Entretanto, verificam-se ainda múltiplas e persistentes formas de discriminação das mulheres, em Portugal e no mundo. Mais de um milhão de meninas morrem todos os anos apenas por terem nascido mulheres. Milhares de outras ficam para sempre amputadas pela mutilação genital - prática tenebrosa e muito mais expandida do que se possa pensar, frequentemente desculpabilizada pelo relativismo cultural politicamente correcto. A percentagem mundial de mulheres nos lugares de decisão politica é de cerca de dez por cento. E só três por cento das empresas ocidentais (porque das outras nem vale a pena falar) são dirigidas por mulheres. Que em geral ganham muito menos, em iguais funções, do que os seus congéneres masculinos. Ora a menorização das mulheres menoriza também os homens, empobrecendo não só as relações entre os sexos mas também o desenvolvimento do mundo humano". 

Inês Pedrosa, 20 Mulheres para o Século XX, Dom Quixote, Lisboa, 2000.

domingo, 2 de março de 2014

Pura Poesia IX Memórias


Retalhos Da Vida De Um Médico


Serras, veredas, atalhos,
Estradas e fragas de vento,
Onde se encontram retalhos
De vidas em sofrimento

Retalhos fundos nos rostos,
Mãos duras e retalhadas
Pelo suor do desgosto,
Retalha as caras fechadas

O caminho que seguiste,
Entre gente pobre e rude,
Muitas vezes tu abriste
Uma rosa de saúde

[refrão]
Cada história é um retalho
Cortado no coração
De um homem que no trabalho
Reparte a vida e o pão

As vidas que defendeste,
E o pão que repartiste,
São lágrimas que tu bebeste
Dos olhos de um povo triste

E depois de tanto mundo,
Retalhado de verdade,
Também tu chegaste ao fundo
Da doença da cidade

Da que não vem na sebenta,
Daquela que não se ensina,
Da pobreza que afugenta
Os barões da medicina

Tu sabes quanto fizeste,
A miséria não segura,
Nem mesmo quando lhe deste
A receita da ternura

Pura Poesia VIII Rita Lee - Mania de Você

Rita Lee, Água na Boca.





Mania De Você


Meu bem você me dá
Água na boca
Hum! Rum!
Vestindo fantasias
Tirando a roupa
Molhada de suor
De tanto a gente se beijar
De tanto imaginar
Imaginar!
Loucuras...

A gente faz o amor
Por telepatia
No chão, no mar, na lua
Na melodia
Mania de você
De tanto a gente se beijar
De tanto imaginar
Imaginar!
Loucuras...

Nada melhor
Do que não fazer nada
Só prá deitar
E rolar com você...(2x)

Meu bem você me dá
Água na boca
Água na boca!
Vestindo fantasia
Tirando a roupa
Molhada de suor
De tanto a gente se beijar
De tanto imaginar
Imaginar!
Loucuras...

A gente faz amor
Por telepatia
Telepatia!
No chão, no mar, na lua
Na melodia...

Mania de você
De tanto a gente se beijar
De tanto imaginar
Imaginar!
Loucuras...

Nada melhor
Do que não fazer nada
Só prá deitar
E rolar com você...(2x)

Meu bem você me dá
Água na boca!

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

Billie Holiday- The Man I Love


Pura Poesia VII Vinicius de Moraes- Eu Sei Que Vou-te Amar



Eu sei que vou te amar
Por toda a minha vida, eu vou te amar
Em cada despedida, eu vou te amar
Desesperadamente
Eu sei que vou te amar

E cada verso meu será
Pra te dizer
Que eu sei que vou te amar
Por toda a minha vida

Eu sei que vou chorar
A cada ausência tua, eu vou chorar
Mas cada volta tua há de apagar
O que esta tua ausência me causou

Eu sei que vou sofrer
A eterna desventura de viver
À espera de viver ao lado teu
Por toda a minha vida


Amor

Invocação Ao Amor

Pedir-te a sensação
a água
o travo

aquele odor antigo
de uma parede
branca

Pedir-te da vertigem
a certeza 
que tens nos olhos
quando me desejas

Pedir-te sobre a mão
a boca inchada
um rasto de saliva
na garganta

Pedir-te que me dispas
e me deites
de borco e os meus seios
na tua cara

Pedir-te que me olhes
e me aceites
me percorras
me invadas
me pressintas

Pedir-te que me peças
que te queira
no separar das horas
sobre a língua

Maria Teresa Horta, As Palavras do Corpo, Dom Quixote, Lisboa, 2012.

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

Poesia X- Manuel Alegre

Carta a Sophia
ou
o quinto poema do português errante

Querida Sofia: como os índios do seu poema
também eu procurei o país sem mal.
Em dez anos de exílio o imaginei
como os índios utópicos também eu queria
um outro Portugal em Portugal.
Mas quando regressei eu não o vi
como eles me perdi e nunca achei
o país sem mal.
Talvez a própria vida seja isto
passar montanha e mar sem se dar conta
de que o único sentido é procurar.
Como os índios do seu poema eu não desisto
sou um português errante a caminhar
em busca do país que não se encontra.

Manuel Alegre, Livro do Português Errante, Dom Quixote, Lisboa, 2001.

Edward Matthew Hale, The Mermaid's Rock, 1894

Os Lugares

"Caminho por quelhas atapetadas de mato que se há-de transformar em estrume e em viveiro de larvas depois de moído por botas cardadas, calores e invernias e, caminhando, cruzo-me com vultos, alguns chegados da Vila. Vejo interiores de casebres alumiados a petróleo, são uma espinha de traves coberta com telhas em escama. Cavernames de navio, é o que me lembram. Pequenas arcas de Noé. Num ou noutro há o gato e a criança de barriga nua e de pernas arqueadas, num ou noutro há o cachorro e a galinha presa pela pata a uma cadeira, e em grandes alguidares de folha remexem enguias pardacentas. A noite está tranquila, húmida talvez."

José Cardoso Pires, O Delfim, Dom Quixote, Lisboa, 2002.


terça-feira, 28 de janeiro de 2014

O Bom Caminho


Poesia IX - Natália Correia


Os Fantasmas

"A viagem durava há algumas horas. Kate sentira a falta da beleza fantasmagórica dos campos ingleses.
Ele não falava muito, mas de vez em quando voltava-se e fazia-lhe uma caricia no cabelo, no joelho. Depois fixava os olhos na estrada, com um sorriso nos lábios.
Naquele dia, ele tinha um aspecto muito diferente. Cortara o cabelo, o corte de antigamente, que a fazia pensar em Marlon Brando como Marco António. O cabelo parecia menos grisalho. A barba desaparecera. Tinha um aspecto muitíssimo mais jovem. Era como se tivesse deixado para trás, em todos os sentidos, a sua personagem. O homem que esperava perto da janela, olhando a neve lá fora. O castelo na Escócia onde três pessoas que não estavam juntas há muito tempo se encontravam de novo.
- Às vezes pergunto a mim mesma...
- O quê?
- O que acontece às personagens.
- Quando o actor as deixa para trás?
- Sim.
Ele ficou pensativo."

Ana Teresa Pereira, A Pantera, Relógio D'água, Lisboa, 2011.

Salvador Dali, The Signal of Anguish, 1934.

sábado, 18 de janeiro de 2014

Poesia VIII- Vanessa da Mata



Ainda Bem


Ainda bem
Que você vive comigo
Porque senão
Como seria esta vida?
Sei lá, sei lá
Nos dias frios em que nós estamos juntos
Nos abraçamos sob o nosso conforto
De amar, de amar

Se há dores tudo fica mais fácil
Seu rosto silencia e faz parar
As flores que me mandam são fato
Do nosso cuidado e entrega
Meus beijos sem os seus não dariam
Os dias chegariam sem paixão
Meu corpo sem o seu uma parte
Seria o acaso e não sorte

Ainda bem
Que você vive comigo
Porque senão
Como seria esta vida?
Sei lá, sei lá
Se há dores tudo fica mais fácil
Seu rosto silencia e faz parar
As flores que me mandam são fato
Do nosso cuidado e entrega
Meus beijos sem os seus não dariam
Os dias chegariam sem paixão
Meu corpo sem o seu uma parte
Seria o acaso e não sorte

Neste mundo de tantos anos
Entre tantos outros
Que sorte a nossa, hein?
Entre tantas paixões
Esse encontro
Nós dois
Esse amor

Entre tantos outros
Entre tantos anos
Que sorte a nossa, hein?

Entre tantas paixões
Esse encontro
Nós dois
Esse amor


Afirmação Diária

sábado, 11 de janeiro de 2014

Poesia VI


O Mistério da Noite

Noite
Mais uma vez encontro a tua face
Ó minha noite que eu julguei perdida.

Mistério das luzes e das sombras
Sobre os caminhos de areia,

Rios de palidez em que escorre
Sobre os campos a lua cheia,

Ansioso subir de cada voz,
Que na noite clara se desfaz e morre.

Secreto, extasiado murmurar
De mil gestos entre a folhagem,
Tristeza das cigarras a cantar.

Ó minha noite, em cada imagem
Reconheço e adoro a tua face,
Tão exaltadamente desejada,
Tão exaltadamente encontrada,
Que a vida há-de passar, sem que ela passe,
Do fundo dos meus olhos onde está gravada.

Sophia de Mello Breyner Andresen, Obra Poética, Editorial Caminho, Lisboa, 2010.

Edward Robert Hughes, Night.

terça-feira, 7 de janeiro de 2014

As Perspectivas da Memória

"Nesta fase do processo admito que não se tratasse propriamente de apatia, os médicos é que poderão dizer. Que eu saiba, ele ao princípio sabia-se doente. Ou teria uma percepção limiar da impossibilidade de se conjugar com os outros, uma impossibilidade com a qual convivia numa aceitação natural. Recordo-me até de que ao observar uma coisa que lhe chamasse a atenção a punha instintivamente de parte porque tinha como certo que um segundo depois a iria esquecer.
Ouvir e perceber enquanto ouvia mas apagar prontamente, era o traçado em que ele se movia. Ouvir e apagar logo-logo. Apagar. E ver, ver também contava. Ver pessoas (figuras) através dum vidro mudo e perdê-las acto contínuo. Tudo sem angústia, como quem preenchesse o tempo numa serenidade terminal. Como quem, na desertificação que o invadia, fosse avançando para a morte cerebral num cenário de contornos indiferentes."
José Cardoso Pires, De Profundis, Valsa Lenta, Dom Quixote, Lisboa, 1997.

Evelyn Pickering de Morgan, Lux in Tenebris, 1895.

O Meu Lugar No Mundo