terça-feira, 19 de abril de 2016

Pura Poesia XII




Bairro do Amor
Jorge Palma
  

No bairro do amor a vida é um carrossel 
Onde há sempre lugar para mais alguém 
O bairro do amor foi feito a lápis de cor 
Por gente que sofreu por não ter ninguém

No bairro do amor o tempo morre devagar 
Num cachimbo a rodar de mão em mão 
No bairro do amor há quem pergunte a sorrir: 
Será que ainda cá estamos no fim do verão?

Eh, pá, deixa-me abrir contigo 
Desabafar contigo 
Falar-te da minha solidão 
Ah, é bom sorrir um pouco 
Descontrair-me um pouco 
Eu sei que tu me compreendes bem.

No bairro do amor a vida corre sempre igual 
De café em café, de bar em bar 
No bairro do amor o sol parece maior 
E há ondas de ternura em cada olhar.

O bairro do amor é uma zona marginal 
Onde não há prisões nem hospitais 
No bairro do amor cada um tem de tratar 
Das suas nódoas negras sentimentais

Eh, pá, deixa-me abrir contigo 
Desabafar contigo 
Falar-te da minha solidão 
Ah, é bom sorrir um pouco 
Descontrair-me um pouco 
Eu sei que tu me compreendes bem.

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