terça-feira, 29 de abril de 2014

Ferreira de Castro II

Andorra

"Andorra foi sempre, na terra portuguesa e na Europa inteira, um tear de sorrisos. Por ser pequena? Por se ter conservado, através dos séculos, extática, enlevada, adormecida no seu berço de montanhas? Por ser ignorada? Nem sempre o que é grande é o mais belo; e a maior fascinação reside sempre no que é desconhecido.
Ao longo da vida temos topado homens que fumaram ópio na China, tomaram vodka na Rússia, miraram o Vale dos Reis e subiram aos Andes; nenhum , impenitente vagamundo fosse ele, que nos baforasse a frase célebre: "Corri Seca e Meca e os Vales de Andorra". Nenhum que houvesse desejado ver como aquilo era e por que vivia quase independente, há tantos séculos já, um país tão minúsculo, quando outros maiores têm sido anexados.
Não. Ia-se muito longe, devassavam-se os mais distantes recantos do planeta , mas a Andorra, que estava perto, manando possivelmente inéditas emoções, ninguém ia, ninguém pensava ir. 
Nasceu, assim, a minha curiosidade (...)".

Ferreira de Castro, Obras Completas, Vol.II, Pequenos Mundos e Velhas Civilizações, Editora Lello, Porto, 1977.



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